Federarroz aciona Polícia Civil para apurar denúncias sobre práticas abusivas no preço do diesel ofertado ao produtor rural

Federarroz aciona Polícia Civil para apurar denúncias sobre práticas abusivas no preço do diesel ofertado ao produtor rural

Foto: Nathalia Schneider (Arquivo Diário)

O aumento no preço do diesel nas últimas semanas acendeu um sinal de alerta no setor arrozeiro do Rio Grande do Sul, em um momento considerado delicado para os produtores. A avaliação é do diretor jurídico da Federarroz, Anderson Belloli, em entrevista ao Bom Dia Cidade, da Rádio CDN, nesta segunda-feira (23).

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Segundo ele, a entidade identificou rapidamente a elevação dos preços, especialmente após o início de tensões internacionais que impactaram o mercado de combustíveis.

— O que nos chamou a atenção foi justamente a velocidade com que passaram a ocorrer aumentos consideráveis no preço do combustível e do diesel ofertado ao produtor rural. Logo após a nossa primeira manifestação, nós já criamos um canal para receber informações e passamos a compilar aumentos significativos em todo o Estado — afirmou.

Entre os relatos recebidos, há casos de diesel sendo comercializado a valores próximos de R$ 9,50, com comprovação por nota fiscal, além de queixas sobre dificuldades pontuais de abastecimento.


Apuração de possíveis irregularidades

Diante do cenário, a federação acionou a Polícia Civil para investigar indícios de práticas abusivas, como elevação injustificada de preços e possível cartelização no fornecimento.

— Nós não temos poder de fiscalização, então o que nos coube foi contatar as forças de segurança para que pudessem verificar onde estaria havendo possível especulação, abuso de poder econômico ou até situações que podem configurar crime contra o consumidor e contra a ordem econômica — explicou.

A partir dessas articulações, operações foram realizadas na última semana em cidades como Pelotas e Cachoeira do Sul, com foco na verificação de estoques, preços de compra e valores praticados na venda aos produtores.

Apesar das denúncias iniciais, Belloli pondera que não há, até o momento, confirmação de desabastecimento generalizado nas propriedades.

— Até o momento nós não temos informações sobre lavouras paradas por falta de diesel. Muito pelo contrário, o que temos é que o abastecimento está sendo normalizado. Mas isso pode mudar rapidamente, porque a situação é dinâmica — afirmou.


Pressão sobre os custos amplia crise

Mesmo sem interrupção nas atividades, o impacto financeiro é imediato. O diesel é um dos principais insumos da produção, especialmente no período de colheita, quando o uso de máquinas é intensificado.

— O custo do diesel saiu de R$ 5,80, R$ 5,90 para cerca de R$ 7,80, ou seja, um aumento médio de R$ 2 por litro. Isso é bastante relevante porque o produtor precisa colher, não pode esperar. Ele já está no tempo da colheita — destacou.

O aumento ocorre em um contexto já adverso para o setor. De acordo com a Federarroz, o custo de produção da saca está entre R$ 85 e R$ 90, enquanto o preço de comercialização gira entre R$ 55 e R$ 60.

— Hoje o produtor não está empatando, ele está em prejuízo. Em termos gerais, estamos falando de uma perda de cerca de R$ 25 por saco — afirmou.


Colheita ainda incompleta eleva preocupação

A situação se torna ainda mais sensível diante do estágio da safra. A maior parte da produção ainda está no campo, o que amplia a dependência de insumos como o diesel nas próximas semanas.

— Em grosso modo, nós imaginamos que entre 25% e 30% da área foi colhida até agora no Estado. Ou seja, ainda faltaria algo entre 65% e 70% da safra para ser retirada das lavouras — disse.

Com isso, qualquer aumento adicional de custos ou dificuldade operacional pode comprometer ainda mais o resultado econômico dos produtores.


Chamado aos produtores e atenção ao cenário

A Federarroz orienta que produtores comuniquem eventuais irregularidades relacionadas ao preço ou fornecimento de combustível, garantindo o anonimato das informações.

O produtor não só pode como deve nos procurar. A identidade é preservada e isso é fundamental para que possamos adotar as medidas cabíveis dentro do processo legal — destacou.

Além do impacto imediato, Belloli avalia que o setor pode estar diante de um cenário mais amplo de crise, impulsionado por fatores como endividamento, dificuldade de acesso ao crédito e problemas de safra nos últimos anos.

— Nós temos uma situação muito delicada no Estado. Talvez estejamos começando a enfrentar uma das maiores crises do setor arrozeiro da história — afirmou.


Importância estratégica do RS

Responsável por cerca de 70% da produção nacional de arroz, o Rio Grande do Sul tem papel central na segurança alimentar do país. Por isso, segundo a entidade, o momento exige atenção e resposta rápida das instituições.

— Se alguém vai garantir a segurança alimentar do Brasil em relação ao arroz, esse alguém é o Rio Grande do Sul e seus produtores. Por isso a nossa preocupação em manter esse produtor no campo, trabalhando — concluiu.


Confira a entrevista completa

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